
Esse é um tema que está sempre rondando nossa mente e nossos sonhos, afinal, fomos ensinados a pensar que a felicidade é uma grande meta e vem, como um prêmio, depois de muito esforço ao alcançar um objetivo; que só aparece depois de realizar algo grandioso; que só sentiremos ela no peito quando conquistarmos o mundo! Ano passado, compartilhei, aqui na coluna, reflexões sobre dinheiro e felicidade. E acho importante resgatar que “o dinheiro proporciona experiência, e são as experiências que causam motivação na gente - antes, durante e depois do consumo. Uma pesquisa concluiu que gastar dinheiro com experiências como viagens, jantares, cinema, passeios... é investir no seu tempo. O maior desafio é não condicionar nossa felicidade a isso – é preciso lembrar (sempre!) que podemos ser felizes enquanto não temos todas essas coisas”. É difícil, eu sei, num mundo onde as ofertas de “uma vida melhor” estão piscando incansavelmente enquanto rolamos o feed das nossas redes sociais. Dar de cara com vidas incríveis é fácil. Difícil é cairmos na realidade de que o like que tanto precisamos vive nas coisas simples da nossa própria vida. A capacidade de nos contentarmos com o pouco, de sentir prazer com as pequenas coisas, é o que pode mudar o jogo daqui para frente. Num passado bem distante, o filósofo Epicuro já apontava que a felicidade vivia na simplicidade. Um epicurista seria capaz de alcançar um estado de tranquilidade e contentamento com o que a vida oferece, desfrutando de prazeres simples ao lado de muitos amigos – essa seria a definição de felicidade, de uma vida boa. No presente, a ciência segue o mesmo caminho: o sistema público de saúde do Reino Unido recomenda a prática do savouring – que é a capacidade de saborear, apreciar, desfrutar e valorizar experiências positivas – em tratamentos de depressão leve. Além de apreciar e valorizar, faz parte do pacote construir experiências positivas. Sonja Lyubomirsky, professora de psicologia da Universidade da Califórnia e autora de A Ciência da Felicidade, título traduzido para 19 idiomas, reforça que a felicidade exige trabalho, como qualquer outro objetivo importante da vida. Ser feliz não é uma questão de sorte, é dedicação, empenho, esforço. É fundamental termos consciência dos próprios desejos, é essencial que saibamos cuidar das coisas que nos trazem felicidade. A verdade é que ser feliz é mais fácil do que se imagina: não precisamos de um grande plano, mas, sim, de um grande peito para sustentar nossas escolhas. A tal felicidade mora aí, nas coisas simples da sua vida, e todos os dias te faz um pedido, apenas esperando um sinal para poder entrar, sentar e ficar para o cafezinho, no meio da tarde de uma quinta-feira qualquer.
