Foi em um salão de festas familiar, com os ingredientes certos e uma
dose generosa de coragem, que nasceu um sonho que, há dez anos,
se transformou em um restaurante de comida japonesa.
O Porto Sushi comemora uma década de sabor e, ao olhar para
sua trajetória, os proprietários e a equipe se orgulham da marca
de qualidade que construíram. Porém, se engana quem pensa que
o empreendimento começou com fachada imponente ou cozinha
industrial; ele tinha apenas três pares de mãos, uma cidade inteira
por conquistar e uma ideia que, feita com propósito, virou referência.
– Nosso primeiro “restaurante” foi, na verdade, o salão de festas
da casa do meu pai, Clauton Machado. Atendíamos apenas por
delivery e a equipe era mínima: eu, o Jacson e um sushiman. Mas,
mesmo com recursos limitados, tínhamos algo essencial: dedicação,
qualidade e vontade de fazer diferente – lembra Marcel Denardin
Monte Machado, cofundador do Porto Sushi.
Ao lado do amigo de infância Jacson Zanini, ele transformou o projeto
em uma das marcas mais queridas da gastronomia santa-mariense.
Marcel nasceu em Londrina, mas se considera santa-mariense de
coração. Formado em Fisioterapia, já trazia no currículo a experiência
de empreender no setor de eventos, porém com sonorização. Foi
justamente um momento delicado nesse ramo que o fez repensar
sua trajetória.
– Percebi que era hora de buscar um novo caminho, sem abrir mão
da minha paixão por lidar com pessoas e criar experiências – conta.
Jacson, por sua vez, trazia o DNA da gastronomia. Filho de Sidnei
Rodrigues, proprietário do tradicional restaurante O Gaúchão, cresceu
entre pratos, receitas e o bastidor dos negócios familiares. Também
com experiência em eventos e formação em Administração, somou
ao projeto sua visão estratégica e espírito inquieto.
– A conversa entre nós foi natural, como tantas outras que tivemos
ao longo da vida, já que somos bons amigos. Mas, dessa vez, nasceu
algo maior e é ao completarmos dez anos que percebemos ainda
mais como isso deu certo – afirma Marcel.


A ideia se desenhou com o apoio do SEBRAE, ganhou forma em um
plano de negócios e, logo, os pedidos começaram a crescer. Foi a
própria demanda da cidade que fez surgir a necessidade de um espaço
físico e, com ele, veio o nome que guarda a alma do restaurante.
– Os primeiros imigrantes japoneses desembarcaram no Porto de
Santos, e quisemos homenagear essa travessia. Por isso, o nome
“Porto” carrega esse símbolo de chegada, acolhimento e confiança.
Nas paredes das unidades e na própria marca, o aço corten e as
âncoras traduzem em arquitetura o que entregamos em cada
bandeja: solidez, história e afeto – orgulha-se Marcel.
Mas nenhum percurso de dez anos é feito apenas de mares calmos.
Em 2020, a pandemia paralisou o setor de gastronomia e foi ali que
o Porto Sushi fez sua escolha mais valente: manter a equipe unida,
mesmo diante da incerteza.
– Adaptamos o negócio para funcionar exclusivamente no delivery
e, graças a uma gestão sólida e cuidadosa, conseguimos seguir sem
desligar nenhum colaborador. Atravessamos a tempestade juntos,
sem deixar ninguém para trás – emociona-se o proprietário.
Manter a preferência dos clientes em um mercado que ganhou novos
concorrentes ao longo dos anos exige atenção e carinho ao negócio. O
segredo da longevidade está em um tripé que a dupla de sócios repete
como mantra: qualidade inegociável, escuta ativa ao consumidor e
cultura organizacional forte.
– Atrair, conquistar e fidelizar exige mais do que bons pratos; exige
estratégia, paixão e visão de longo prazo – diz Marcel.
Foi essa combinação que permitiu ao Porto Sushi acompanhar, e
em muitos momentos conduzir, a transformação do paladar santamariense
em relação à culinária oriental.
– No início, o consumo de comida japonesa ainda era cercado de
curiosidade e, muitas vezes, restrito aos clássicos mais conhecidos.
Hoje, o público está muito mais aberto, exigente e bem informado.